Adultos correm atrás de diploma

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Competição de mercado ou apenas a realização de um sonho? Independente do motivo, é cada vez mais constante o número de pessoas com mais de 40, 50 anos que ingressa na universidade. Eles correspondem a apenas 2% dos novos universitários que ingressam por ano na Universidade Federal de Sergipe, mas que deixam de lado o preconceito da idade para estudarem ao lado de adolescentes. “É uma necessidade de mercado. Quando a gente termina o colegial não tem profissão nenhuma. Se a gente consegue um emprego pode perder, mas a formação universitária, a profissão, ninguém tira”, diz o comerciante José Passos Barreto, que aos 51 anos de idade passou para o curso de Estatística da Universidade Federal de Sergipe.

O curso de Pedagogia da Faculdade Pio Décimo absorve 200 alunos por ano e é bastante procurado por pessoas com mais de 40 anos de idade. “São pessoas que não tiveram condições de fazer uma faculdade antes ou que já trabalham na área e querem ter uma formação superior. Já tivemos um aluno com 55 anos”, diz Ana Azevedo, coordenadora do curso.

Ainda jovem, José Passos iniciou o curso de Administração de Empresas, mas teve que abandonar por causa do trabalho. Hoje casado e pai de três filhas, uma delas universitária, José Passos decidiu que era hora de voltar a estudar. Ele faz parte do contingente de 37 pessoas com mais de 40 anos que passaram no vestibular da UFS este ano. “Na minha casa toda a família vibrou, inclusive a minha filha, que faz Administração lá na UFS. Nessa hora a gente precisa do apoio e da compreensão de todos”. Para prestar vestibular, José Passos usou dois critérios: a concorrência menor e um curso que servisse ao seu trabalho. “Tive consciência de que iria competir com jovens que estavam estudando e preparados para a prova. Escolhi Estatística porque já trabalhei com cálculos num setor de planejamento de obras”.

A história dele é parecida com a de Josefa Mesquita de Almeida Matos, que passou na Universidade Federal de Sergipe para o curso de Pedagogia quando tinha 20 anos, mas se viu obrigada a ter que trancar o curso no 4o período. “Na época, trabalhava no comércio e era muito corrido para conciliar os estudos com o trabalho e também o início do casamento e depois com os filhos”, relembra. Apesar das dificuldades, ela não desistiu do sonho de ser professora e voltou a estudar aos 34 anos. “Foi muito difícil, mas consegui, pois já estava trabalhando só meio expediente no Estado e a faculdade era à noite. Tinha tempo de dar atenção aos filhos e contei muito com o apoio do meu marido”.

Alfabetização – Vontade de aprender, apesar da idade avançada, tem levado vários idosos a participarem do curso de alfabetização oferecido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), em algumas comunidades carentes de Aracaju e de outros municípios sergipanos. “Nós temos alunos até com mais de 60 anos, que querem aprender a ler e escrever, para não depender de outras pessoas”, informa Vânia Maria dos Santos, que trabalhou na implantação do projeto Alfabetização Cidadã.

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