Cuiabá – Traficantes usam escola para aliciar o estudante

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Traficantes estão se matriculando nas escolas para se aproximar de estudantes. Com isso, já atuam em pelo menos 90% de todas as unidades escolares da Grande Cuiabá.

A conclusão é de uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Prevenção e Repressão ao Tráfico de Drogas em Escolas Públicas e Particulares.

Titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil de Mato Grosso, que participa do núcleo, o delegado Benedito Máximo constatou que professores, diretores e até alguns pais de alunos, estão sendo mantidos como reféns pelos traficantes com ameaças de morte.

Todas as escolas, segundo ainda o delegado da DRE, estão sob investigação.

Porém, segundo ele, o trabalho dos policiais é feito com o máximo sigilo para não despertar a curiosidade dos traficantes, que podem se vingar nos alunos, ou até mesmo nos diretores e professores.

“Não se pode mais esconder essa realidade. Os traficantes estão tomando conta das escolas. Apesar dos problemas, estamos trabalhando dia e noite na prevenção, que são as palestras feitas pelo Núcleo, mas também na repressão”, afirma Máximo.

Apelido de bandido é nome de escola

A prisão da traficante Ana Paula da Silva, a “Aninha”, de 21 anos, grávida de sete meses, mulher do também traficante conhecido como Macedo, trouxe à tona a facilitação que os traficantes estavam encontrando para penetrar com as drogas nas escolas.

“Macedo”, segundo o delegado Benedito Máximo, é apenas o apelido do traficante, e não o nome, uma referência ao Colégio Maria Macedo Rodrigues, localizado na Rua Martins Afonso, no bairro Mapim, em Várzea Grande.

“O traficante era tão conhecido dos alunos do Colégio Maria Macedo que ganhou até o apelido de Macedo. Só que nós prendemos a mulher dele com 14 papelotes de pasta base de cocaína, e agora estamos atrás dele”, afirmou o delegado da DRE.

O delegado também confirma que o Núcleo da DRE comprovou, que não apenas no Colégio Maria Macedo, mas em quase todas as instituições educacionais, públicas ou particulares da Grande Cuiabá, os traficantes vêm agindo, interna e externamente.

O delegado chega a pedir que os pais tenham um pouco mais de cuidado com relação ao comportamento dos filhos, fora e dentro de casa.

“As palestras e o trabalho de repressão do pessoal do Núcleo com pais, alunos e educadores, estão dando resultados, mas é preciso que haja mais participação de todos, principalmente dos pais”, ponderou o delegado Máximo. (JRT).

Convivência no ambiente acaba em medo e ameaças

A relação entre estudantes, professores e traficantes, é aparentemente amistosa. Os bandidos, segundo o delegado Benedito Máximo, se matriculam como alunos comuns, mas no decorrer das aulas a realidade é outra. Os falsos alunos comparecem todos os dias ao colégio, mas nunca entram em sala de aula.

O delegada da DRE conta, que os falsos alunos costumam não apenas olhar de cara feia para os professores e diretores da escola, mas também fazer ameaças, muitas vezes de morte, quando se sentem incomodados.

O delegado confirma ainda que os traficantes, de maneira audaciosa e desrespeitosa, também costumam vender drogas dentro de escolas para alunos na frente dos professores, para intimidá-los, e para que eles sintam a força do tráfico de drogas.

Como ocorre dentro da unidade, no lado de fora a situação é a mesma, assegura o delegado. Geralmente na frente de bares ou próximo a pequenos vendedores ambulantes, os traficantes se dividem com apenas uma preocupação: nunca andar com mais de dois papelotes de droga.

A tática de usar apenas dois papelotes nos bolsos, segundo o delegado, é velha, muito conhecida da polícia, porque os traficantes ainda conseguem alegar que são apenas usuários.

Máximo explica o trabalho feito para colocar os traficantes que agem em frente às escolas na cadeia. “Só conseguimos prendê-los, como prendemos a Aninha, depois de meses de investigações e campanas, à procura de uma chance de flagrá-los vendendo e com mais papelotes do que os traficantes costumam portar para a venda”.

Dois bairros possuem 100 pontos de venda de droga

As investigações da DRE constataram que, em apenas dois bairros de Cuiabá com pouco mais de 20 mil habitantes, a população tem que conviver com mais de 100 “bocas de drogas”, fixas e volantes nas ruas, dentro e fora das escolas.

Nos bairros Pedregal e Jardim Leblon, segundo os levantamentos da DRE nos últimos meses, pessoas que antes eram honestas mas hoje estão desempregadas, se arriscam como “traficantes ambulantes”.

Ou seja, compram drogas em “bocas” fixas, para revender no varejo, como se fossem camelôs. O delegado Benedito Máximo afirma que, como nas escolas, o grande problemas e as dificuldades da Polícia para colocar os traficantes, velhos e tradicionais, donos de bocas e até mesmo os novatos, é a tática deles de só carregarem para a venda um ou dois papelotes.

O delegado da DRE afirma que, a partir deste mês, os policiais começaram a fazer um trabalho que ele classificou como “prejuízo”, uma referência ao combate ostensivo em apenas dois bairros, que vão se repetir em outros dois bairros de cada vez nos próximo meses.

“São tantas as bocas nestes dois bairros, que pouca gente vai acreditar. Já existe uma nova modalidade de traficante, que nós classificamos como “ambulante”, ou camelô. Ele compra para revender. A partir desse trabalho de saturação, todos os dias vasculhando as bocas, estamos levando a vantagem, de no máximo dar prejuízos para os traficantes, que se não são presos, também não conseguem sair às ruas para vender”, afirma Máximo. (JRT)

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