Manaus – O Governo do Amazonas conseguiu emplacar no Ministério da Educação (MEC) dois programas educacionais a serem desenvolvidos nos próximos quatro anos pelo governador Eduardo Braga, que pretende “revolucionar o ensino no Estado”. O ministro Cristóvam Buarque autorizou ontem a liberação de R$ 7 milhões para a execução do “Projeto Alfa”, numa parceria com o MEC, Universidade Estadual do Amazonas (UEA), pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e secretarias municipais. Inicialmente, o “Alfa” quer alfabetizar 25 mil pessoas que não tiveram acesso à escola.
Com investimentos de R$ 30 por aluno, em dois anos o programa almeja erradicar o analfabetismo nos cinco municípios com piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e, até o final do Governo, acabar com o analfabetismo no Estado.
“Sem dúvidas, é o projeto mais arrojado de alfabetização da história do Estado do Amazonas”, comemorou o governador Eduardo Braga, que passou todo o dia de ontem na capital federal visitando ministérios e órgãos de interesse estadual.
O outro projeto apresentado por Braga e sua equipe de professores ao ministro Cristóvam Buarque é de Educação Indígena. Com a colaboração do Banco Mundial e do MEC, a Secretaria Estadual de Educação vai implementar um programa para atender os cerca de 36 mil alunos indígenas. O projeto pretende, ainda, continuar com o ensino de 1ª a 4ª séries, intensificar de 5ª a 8ª e até no próximo ano implantar o ensino médio nas escolas indígenas. A meta é criar em quatro anos 271 escolas, além de aprimorar a qualificação dos professores e do material didático.
O governador do Amazonas almoçou com o presidente do Ibama, Marcus Barros, e saiu exultante com a proposta apresentada pelo amazonense. Dos 63 mil metros cúbicos de madeira que o Instituto mantém apreendidos no Estado do Pará, grande maioria de mogno, 20 mil vão ser doados ao Estado.
Em parceria com a Fucapi, o governo vai criar o programa de carteira escolar. “Vamos abrir quatro movelarias no interior, dentro do Zona Franca Verde, além de reabrir as serrarias fechadas por falta de matéria-prima. Essas ações vão criar centenas de emprego e geração de renda”, definiu Braga.
Ainda no Ibama, foi costurado um projeto de modelo de desenvolvimento sustentável no entorno da cidade de Manaus. Em parceria com a organização não-governamental Conservation International, Suframa, Inpa, Ufam e UEA, será utilizado o Distrito Agropecuário da Zona Franca de Manaus e assentados do Incra para atender entre três e quatro mil famílias da área rural.
Também renderam “bons frutos” para a Zona Franca Verde a reunião de trabalho entre o governador amazonense, o presidente do Conselho de Bio-Amazônia, Seixas Lourenço, e a presidente do Banco da Amazônia S.A (Basa), Flora Valladares. Discutiu-se o modelo de desenvolvimento sustentável, com o apoio do Centro de Biotecnologia da Amazônia, e forma de financiamento a ser feito pelo Basa. “Precisamos utilizar melhor os recursos disponíveis, pois, o Amazonas deixar de receber cerca de R$ 90 milhões por ano do FNO por falta de projetos. Vamos mudar esse quadro”, garantiu Braga.
Com o vice-presidente de assuntos governamentais da Coca-Cola, o governador tratou do apoio da multinacional aos bumbás de Parintins, assim como de um amplo projeto de desenvolvimento econômico integrado, os chamados “clusters”.
A proposta deverá ser estendida a Ambev e Pepsi-Cola. Na área empresarial, em Brasília, o governador também manteve contato com a direção da cervejaria Skincariol, que pretende viabilizar a primeira agroindústria no interior do Estado, no Município de Presidente Figueiredo. “Lá é o lugar ideal porque temos energia, açúcar e água abundantes. Tenho certeza que esse projeto vai revolucionar o município “, afirmou Eduardo Braga.


