Paraná: escola de porta em porta

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Envolvido com a erradicação do analfabetismo no Paraná, desde 1985, o Centro de Proteção da Vida (CPV) do município de Assis Chateaubriand resolveu inovar, há três anos. Preocupada com os moradores da região que não conseguiam ir até as escolas, a equipe do centro criou o Projeto Educação Domiciliar, voltado a jovens e adultos.

“Percebemos que havia um grupo grande de jovens e adultos que gostariam de aprender a ler e escrever, ou voltar a estudar, mas não o faziam porque o horário de trabalho o impossibilitava de freqüentar uma sala de aula tradicional”, lembra o presidente do CPV, José Pardinho Souza. Além disso, segundo Souza, existiam pessoas que não podiam se deslocar para os colégios e cursos da região por falta de dinheiro para o transporte ou por estar amamentando, por exemplo. “A saída era levar a educação até eles, e foi isso que fizemos”, conta.

Aulas em casa ou no bairro

O Projeto, que recebeu a certificação de Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil, atende a um público bastante heterogêneo. “Nossos alunos são, principalmente, caminhoneiros, mães de crianças pequenas, enfermos, deficientes, vigias, garis, bóias-frias e moradores de bairros isolados com demanda insuficiente para constituir uma sala de aula”, explica Souza.

Segundo o presidente da entidade, o educador leciona na casa das pessoas, em um horário pré-determinado com os alunos. “Costumamos reunir grupos de três ou quatros pessoas em um mesmo bairro”, diz Souza. Outra opção é o aluno se deslocar até a sede do projeto. “O importante é que nem elas e nem o educador precise pegar ônibus”, aponta o presidente.

As aulas são baseadas no dia-a-dia dos alunos. São utilizadas, por exemplo, informações contidas nas embalagens de alimentos para se ensinar matemática, geografia e, até mesmo, história. “O adulto não tem tempo para perder, tem urgência em aprender. Usando exemplos que fazem parte da sua realidade ele aprende muito mais rápido do que seguindo lições em apostilas”, diz Souza. Para tanto, os professores atendem alunos no mesmo bairro que moram e recebem um treinamento especial de diferentes entidades, como do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Serviço Social da Indústria (Sesi), e das Secretarias de Educação. “Assim, os professores conhecem bem a realidade dos seus alunos, podem falar a mesma ‘língua’”, acredita Souza.

Resultados surpreendem

Em 2000, o projeto piloto do Educação Domiciliar, que contou com apenas um educador, escolarizou 52 pessoas, que fizeram as provas e foram aprovados em Exames de Equivalência, realizados pelo Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA) de Assis Chateaubriand. De lá até o ano passado, com a participação de 15 educadores, 1.172 pessoas foram alfabetizadas e, neste ano, o CPV espera receber cerca de mil inscrições no projeto Educação Domiciliar, que oferece cursos de alfabetização e de 1o a 4a série do ensino fundamental.

“Este curso faz parte do nosso objetivo de promover o resgate da dignidade humana, capacitando o indivíduo para o verdadeiro exercício da cidadania. Alfabetizadas, estas pessoas têm a possibilidade de sair do subemprego e de melhorar sua qualidade de vida, além de passarem a ter motivação para passar algo de melhor para os filhos”, conta Souza. Segundo o presidente, quando a CPV começou a atuar em Assis Chateaubriand, em 1985, o índice de analfabetismo era de 25% e hoje ele está em 9,5%. “Queremos zerar o analfabetismo na cidade em dois anos”, diz Souza.

O Centro de Proteção da Vida de Assis Chateaubriand realiza diversos projetos de educação para jovens e adultos em 32 municípios paranaenses, e o Educação Domiciliar já está em 22 deles.

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