Projeto de instituto leva professores às artes plásticas

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São Paulo – A partir do próximo dia 3, mais de 4.000 professores da rede municipal de ensino se aproximarão da arte contemporânea em seus vários desdobramentos, seja artes plásticas, literatura, cinema, dança, música ou teatro. A iniciativa, denominada “Vivências Culturais para Educadores”, é um projeto da Secretaria Municipal de Educação com organização do Instituto Tomie Ohtake (ITO).

“Fomos procurados pela secretaria com o intuito de propiciar uma vivência dos professores com a arte contemporânea. Foi constatado que há um déficit no conhecimento das novas poéticas, que em geral é suprimido apenas durante as bienais de São Paulo. O desafio de criar o projeto foi imenso, dado seu ineditismo e abrangência. Iremos atender 4.160 professores. Mas sua primeira etapa já tem início amanhã”, diz Ricardo Ohtake, diretor do ITO.

A mostra “Tecendo o Visível”, que será inaugurada amanhã no ITO, é a primeira etapa a que se refere Ohtake. Com curadoria de Agnaldo Farias, a exposição com dez artistas que trabalham com desenho (leia texto ao lado), também aberta ao público em geral, será a porta de entrada ao projeto. “O desenho é estruturante para as artes plásticas, é seu início e possui uma linguagem definida. Por isso optamos por esse tema”, diz Ohtake.

Ao contrário da crescente tendência de cenografias mirabolantes nas exposições na cidade, “Tecendo o Visível” não faz apelo para soluções interativas para a participação dos visitantes. “Há vários caminhos para a montagem de uma exposição. Preferimos partir de um lado mais reflexivo, de discussão”, diz Stela Barbieri, coordenadora educacional do projeto.

A exposição é inaugurada amanhã, mas a visitação dos professores tem início no dia 3 em pequenos grupos de 35 pessoas. “Nossa proposta não é trabalhar com aulas para um estádio, mas permitir um diálogo de fato”, afirma Barbieri. Assim, durante um mês, 120 grupos estarão circulando pelo ITO. “Temos cerca de cem pessoas envolvidas no projeto, desde monitores e produtores a professores de oficinas e palestrantes”, afirma Ohtake.

A participação dos professores no projeto é voluntária, desde que façam parte do ensino fundamental, independente da disciplina que o profissional ministra. “O objetivo é abrir horizontes e fazer com que cada professor possa criar relações com a sua área de domínio, seja a matemática, a língua portuguesa ou qualquer outra disciplina”, explica a coordenadora.

O projeto é dividido em três módulos. O primeiro, denominado “Arte e Cultura”, ocorre em fevereiro, com a visita ao ITO e ainda um ciclo de cinema, no Espaço Unibanco, e oficinas de práticas artísticas em duas escolas da prefeitura. O segundo módulo será um festival de cinema denominado “Educação pela Arte”, que ocorrerá até junho, também nas salas do Espaço Unibanco. Finalmente, o terceiro será realizado na escola, onde os professores deverão desenvolver atividades com os alunos.

“Todas as atividades terão material de apoio para que o professor possa trabalhar com seus alunos. Por isso, serão distribuídos desde textos até vídeos e DVDs”, afirma Ohtake.

“Vivências Culturais para Educadores” já passou por três secretários municipais de educação. O projeto foi proposto, no ano passado, pela secretária Eny Maia, substituída no início deste ano por Nélio Bizzo, que permaneceu apenas seis dias no cargo. Atualmente, Maria Aparecida Perez é a secretária interina. “Independente das mudanças na pasta, não há interferência no projeto, pois é uma proposta desta administração”, afirma Ohtake.

Entretanto, com a rotatividade dos secretários neste início de ano, o ITO não forneceu os valores finais do projeto. “Precisamos definir o custo final com o novo secretário”, diz ainda Ohtake.

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