O coordenador da equipe de transição e ministro indicado da Fazenda, Antonio Palocci Filho, destacou como um dos principais objetivos para a educação no futuro governo Lula dobrar a escolaridade média do brasileiro, que é atualmente de 5,41 anos, segundo as Pnads (Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Apenas 20% dos jovens de 15 a 17 anos estão no ensino médio e apenas 8% dos jovens de 18 a 24 anos estão no ensino superior, os índices mais baixos da América Latina”, afirmou o coordenador.
Palocci também disse que será preciso valorizar a profissão dos professores no Brasil, recuperando sua auto-estima dos educadores e reciclando-os, como também adaptar o sistema de progressão continuada às exigências de qualidade do ensino público.
A marginalidade nas escolas é outro processo que preocupa Palocci e que foi apontada como um dos problemas da educação no país pela equipe de transição, associada ao preparo que os professores devem ter.
“É indispensável a atualização do educador de modo que ele possa falar aos corações e mentes de crianças e jovens, que em sociedades ágeis e de livre curso de informações como a nossa perdem rapidamente o vínculo com a escola se ela não falar uma linguagem próxima de sua realidade, se esta não dispuser de uma forma de evitar o aliciamento do tráfico de drogas e o apelo da marginalidade nas comunidades”, disse Palocci.
O coordenador reconheceu avanços no ensino fundamental no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas disse que é preciso ampliar as melhorias na educação do país.
“Os avanços obtidos pelo ensino fundamental nos últimos anos precisam ser expandidos e articulados num programa nacional de educação de modo a superar as descontinuidades do ensino médio e a reverter os retrocessos vividos pelo ensino superior”, concluiu Palocci.
A necessidade de melhoria no ensino foi citada também pelo presidente eleito em discurso proferido após a apresentação de Palocci. “Nós sabemos que não basta dizer que todas as crianças estão na escola; é preciso dizer que qualidade de ensino essas crianças estão tendo”, disse Lula, dando uma alfinetada em um dos indicadores sociais mais frequentemente repetidos por FHC, o de que todas as crianças teriam ido para a escola em seu governo.


