A nota média dos alunos da 4ª série do ensino fundamental no Brasil caiu de 1999 para 2001. É o que mostram os resultados do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) de 2001, divulgados ontem pelo Ministério da Educação.
Nos Estados do Nordeste, por exemplo, a média dos alunos que completam a 4ª série consegue apenas identificar informações explícitas em textos narrativos, como um texto publicitário, mas tem dificuldade para interpretar um texto informativo (de uma revista) ou um poema infantil.
Nas demais séries avaliadas, a nota média dos estudantes ficou estável, o que indica que, em geral, a qualidade do ensino nem melhorou nem piorou no país de 1999 para 2001. Esse quadro de estabilidade é verificado apenas na comparação entre 1999 e 2001. Quando são analisados os resultados desde 1995, há uma queda na qualidade do ensino em todas as séries.
O Saeb é o mais importante exame do MEC para avaliar a qualidade da educação brasileira. Ele avalia escolas públicas e particulares de todos os Estados e regiões. A cada dois anos, são feitos exames de português e matemática na 4ª e na 8ª séries do ensino fundamental e na 3ª série do ensino médio, totalizando seis provas. Há duas maneiras de verificar se houve variação na qualidade do ensino: pela nota média dos estudantes e pela variação no nível de aprendizado. No caso das notas médias, assim como acontece com pesquisas de opinião, há também uma margem de erro. Em todo o Brasil, houve variação negativa e acima da margem de erro na nota média dos alunos da 4ª série nos exames de português e matemática. Nas demais provas, todas as variações (três negativas e uma positiva) ficaram dentro da margem de erro. De acordo com a nota média dos alunos, o país, região ou Estado é classificado em um nível de ensino. Segundo esse critério, em nenhuma das seis provas houve queda ou ascensão de um nível para outro.
Ministro acha positivo
Apesar da queda na nota média verificada na 4ª série, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, afirmou que o quadro de estabilidade é muito positivo quando se leva em conta que as escolas brasileiras incluíram alunos mais pobres no sistema.
“O Saeb mostra um quadro de estabilidade. Apenas na 4ª série foi verificada uma queda na nota média dos alunos, mas isso é resultado da inclusão dos alunos mais pobres no sistema, que aconteceu principalmente nas regiões mais pobres”, disse. O resultado ruim da 4ª série foi impulsionado principalmente pelos Estados do Nordeste. Na prova de português dessa série, por exemplo, os seguintes Estados caíram do nível 2, em 1999, para o nível 1 -o mais baixo-, em 2001: Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, além de Tocantins e Acre. O nível máximo na prova de português é 8.
Apesar de, em todo o Brasil, os estudantes da 4ª série estarem no nível 2 em português, o Saeb mostra que 22,2% não conseguiram a nota mínima para esse nível, o que significa que estão completando a 4ª série sem ter capacidade para interpretar textos simples. “A escola, muitas vezes, esquece que é papel dela trabalhar questões simples e que os alunos não necessariamente chegam ao sistema tendo já aprendido em casa essas noções”, afirma Iza Locatelli, diretora de avaliação da educação básica do MEC.
Para Creso Franco, pesquisador em educação da PUC do Rio, os resultados do Saeb podem ser interpretados de duas maneiras: “A boa é que há uma certa estabilidade nos resultados da 3ª série do ensino médio, mesmo com esse nível de ensino tendo se expandindo a taxas de cerca de 10% ao ano. A má é o resultado da 4ª série, em especial no Nordeste. Isso acontece porque é nessa região que a retenção de alunos nas primeiras séries é mais grave”. Franco aponta também que a melhora do fluxo escolar, com a diminuição da repetência no Nordeste, ainda não equacionou o problema da desigualdade educacional, já que o rendimento das crianças cujo pais têm pouca instrução foi pior do que a média dos demais.


